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Quarta-feira, 17 de dezembro de 2003
Valor
Votações do IR e Cofins
exigem articulação rápida do governo
Maria Lúcia Delgado, De Brasília
O governo terá que articular sua base de sustentação
para concluir, até sexta-feira na Câmara e no Senado, a votação
de dois temas polêmicos e fundamentais para garantir a arrecadação
em 2004: a manutenção da alíquota de 27,5% do Imposto
de Renda de Pessoas Físicas e a cobrança não cumulativa
da Cofins, com alíquota de 7,6%.
Os trabalhos do Congresso foram prorrogados até o dia 20 e, apesar
da pressão de vários parlamentares, ainda não foi
tomada uma decisão oficial do Executivo e os presidentes das duas
Casas sobre a possibilidade de convocação extraordinária
dos senadores e deputados em janeiro de 2004.
Os líderes governistas no Senado anunciaram ontem que se utilizarão
de um instrumento regimental para levar a votação do projeto
de lei do IR direto a plenário amanhã, sem concluir a votação
na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Os debates sobre o IR adiaram uma reunião de líderes marcada
para ontem para tratar do texto da Medida Provisória (135), da
Cofins. Ficou decidido que hoje, no início da tarde, o presidente
da Câmara, João Paulo Cunha, com o aval do presidente do
Senado, José Sarney, convoca todos os líderes da base e
da oposição para uma reunião em que será definido
o texto final.
"Temos que construir um texto único da Cofins porque não
há tempo para votar uma proposta aqui e outra no Senado",
explicou o vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque
(PSB-RS), encarregado de conduzir as negociações sobre o
tema.
A Câmara realiza duas sessões hoje para votar quatro medidas
provisórias. A sessão da tarde será dedicada somente
à votação da MP 135.
O projeto do IR entrou na pauta da CAE ontem, mas não foi votado
porque o senador Mão Santa (PMDB-PI) pediu vista (suspensão
da votação), concedida por 48 horas. Como o relator do projeto
na CAE é o senador José Jorge (PFL-PE) e há grande
pressão do PFL para a correção da tabela do IR neste
ano, a alternativa encontrada pelo governo é apresentar um requerimento
avocando a votação do projeto para o plenário, quando
será nomeado novo relator.
"No plenário o governo é majoritário",
observou o senador José Jorge. O parecer do pefelista propõe
a manutenção da alíquota de 25% e uma correção
da tabela pelo IPCA de janeiro de 2002 a agosto de 2003. Isso aumentaria
a faixa de isenção de R$ 1,058 mil para R$ 1,3 mil. "O
relator está propondo uma indexação permanente do
Imposto de Renda e esse é o mecanismo mais perverso para a volta
da inflação. No momento em que o país atravessa,
infelizmente não é possível corrigir a tabela",
argumentou o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP).
Ele disse ainda que a correção representaria uma perda de
R$ 2,14 bilhões aos Estados e R$ 1,408 bilhão aos municípios,
referentes tanto ao imposto retido na fonte quanto ao repasse da União
para o Fundo de Participação dos Municípios e Fundo
de Participação dos Estados (FPM e FPE). Mercadante defendeu
que o debate sobre a progressividade do IR seja aberto em 2004.
A bancada do PSDB no Senado divulgou ontem um estudo sobre o aumento
da carga tributária no próximo ano, em razão dos
ajustes feitos pelo atual governo federal na Legislação
e, especialmente, a MP da Cofins, que o partido pretende votar contra.
De acordo com o PSDB, o aumento da base de cálculo de 12% para
32% do lucro presumido do prestador de serviços gera um ganho adicional
de R$ 1 bilhão.
O novo Refis vai proporcionar mais R$ 3,1 bilhões. A reforma previdenciária
gera uma receita adicional de R$ 3,2 bilhões. A reforma tributária
garante ao Tesouro Nacional no próximo ano mais R$ 4,4 bilhões.
Mas nada disso se compara aos R$ 8,3 bilhões que a elevação
da alíquota da Cofins irá gerar. A conta total do partido
prevê um ganho para o Tesouro em 2004 de R$ 23,6 bilhões.
A este total adiciona-se R$ 25,1 bilhões de carga tributária
provisória que deveria caducar no próximo ano. (Colaborou
César Felício).

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