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Quinta-feira, 18 de dezembro de 2003
Valor
Dificuldade de acordo adia votação
da MP 135
De Brasília
A votação da Medida Provisória 135, que acaba com
a cumulatividade da Contribuição de Financiamento da Seguridade
Social (Cofins) e fixa a alíquota em 7,6%, teve que ser adiada
para hoje por falta de entendimento entre os líderes da base aliada
na Câmara e a equipe econômica do governo. Já ficou
acertado que os setores de saúde e educação poderão
pagar a alíquota atual, de 3%, mas prevalece a pressão dos
parlamentares para incluir também o setor de transporte público
urbano entre as excepcionalidades. Até ontem à noite a Receita
Federal não concordava em incluir esse setor nas exceções.
O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, foi chamado ontem à noite
ao gabinete do líder do governo na Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP),
para conduzir pessoalmente as negociações. Também
estavam presentes na reunião com parlamentares da base o secretário
da Receita Federal, Jorge Rachid, e o secretário-executivo adjunto
do Ministério da Fazenda, Arno Augustin. "A base está
pressionando para a inclusão desses setores, mas ainda há
resistências", relatou o líder do PSB, deputado Eduardo
Campos (PE).
Se o acordo não for fechado até a manhã de hoje,
a votação ficar para fevereiro de 2004. Se isso ocorrer,
a partir de 1º de fevereiro já poderia ser cobrada a alíquota
de 7,6% (com o fim da noventena), e o Congresso teria que votar a MP com
a cobrança já em vigor.
O que estava definido até a noite de ontem é que somente
as escolas de primeiro e segundo graus e de ensino superior, os hospitais
e centros médicos poderiam continuar a pagar a alíquota
de 3%. A regra não se estenderia, por exemplo, a cursos de pré-vestibular
e nem a clínicas médicas particulares e laboratórios
de análise clínica.
Essas concessões na MP, se incluído o setor de transporte
público urbano, poderão representar uma perda de receita
de R$ 1 bilhão para a União. A idéia dos líderes
da base ontem era fechar uma proposta comum para depois negociar com a
oposição um acordo de procedimentos. Haverá duas
reuniões hoje: uma dos líderes da base e outra com os representantes
de todos os partidos e o presidente da Câmara, João Paulo
Cunha.
Além da possível inclusão de três setores
no rol das exceções, os parlamentares da base negociam com
a Fazenda alguma concessão ao setor agrícola para atender
ao PFL e benefícios às micro e pequenas empresas para atender
ao PSDB. Os tucanos querem que as micro e pequenas empresas possam pagar
a alíquota de 3%. A resistência da Receita é grande.
O vice-líder do governo, Renato Casagrande (PSB-ES), afirmou,
ao deixar a reunião, que a perda de receita poderá ser compensada
com a cobrança da Cofins sobre importações. "Minha
avaliação é que a estimativa do governo com a cobrança
da Cofins sobre importados será um pouco maior que o prevista,
então temos margem para negociação", afirmou
o parlamentar. De acordo com Casagrande, é possível que
o governo concorde com a possibilidade de o setor recolher 100% da Cofins
sobre o lucro presumido. As regras atuais permitem um recolhimento de
até 70%. (MLD)

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