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Sexta-feira, 17 de setembro de 2004
TRIBUNA DA
IMPRENSA
Fonteles: resolução democratiza a atuação
do MP
BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Claudio Lemos
Fonteles, disse ontem que a resolução aprovada no início
da semana pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal
(MPF) vai tornar mais democráticos os procedimentos investigatórios
feitos pelos integrantes do MP. Antes dessa resolução, faltavam
regras para as apurações.
Conforme reconheceu Fonteles, alguns procuradores recortavam notícias
publicadas na imprensa e iniciavam investigações. Com a
resolução, eles poderão pedir a abertura de apurações,
mas o caso terá de ser distribuído entre os diversos integrantes
do MP. "O procedimento investigatório não será
concentrado em pessoas, será distribuído", afirmou
Fonteles. "Antes, as pessoas recortavam uma notícia e chamavam
a si isso", disse. "Agora, recorto, mas encaminho para distribuição",
acrescentou o procurador-geral.
Fonteles explicou que a necessidade de regulamentar as investigações
realizadas pelo MP já vinha sendo debatida há tempo na instituição,
mas que as discussões se tornaram mais ágeis em virtude
da iminente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o assunto.
O STF vai decidir em breve se os promotores e procuradores podem ou não
investigar. O julgamento foi iniciado no dia 1º e o plenário
sinalizou que poderá reconhecer essa competência do MP desde
que seja regulamentada.
Além da distribuição dos casos, Fonteles ressaltou
outros pontos da resolução definida pelo Conselho Superior
do MPF, como a fixação de prazo para a realização
de apurações e a possibilidade de o investigado ter acesso
aos autos. "Há prazo determinado, ninguém pode ficar
com a espada de Dâmocles na cabeça", afirmou Fonteles,
usando a expressão que significa "um perigo iminente que paira
sobre a vida de alguém".

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