03/12/2004
FOLHA DE SÃO PAULO
Reforma pode ser votada neste mês
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP),
disse ontem que espera concluir a votação da reforma tributária
até o final deste mês. Ele disse que conversou anteontem com os
líderes dos demais partidos e que houve entendimento nesse sentido.
Ele acredita que será possível resolver a questão da unificação
do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços),
ponto mais difícil nas negociações com os Estados. João
Paulo participou ontem da abertura do seminário "A nova Administração
Tributária Brasileira", com a participação de especialistas
estrangeiros.
Para ele, o "sistema tributário" brasileiro ainda está
inconcluso, apesar das medidas adotadas nos últimos meses pelo governo
-como a implantação de uma tabela regressiva de Imposto de Renda
sobre fundos de investimento para fomentar a poupança de longo prazo.
João Paulo criticou o fato de que a maior parte dos impostos no Brasil
é paga na ponta pelo contribuinte, no ato do consumo, o que gera desigualdades.
"É preciso tratar os desiguais de forma desigual. Hoje, os desiguais
são tratados de forma igual." Ele quis dizer que, ao comprar determinado
produto, o contribuinte pobre paga o mesmo imposto que o rico.
As declarações de João Paulo vêm na mesma linha do
que tem defendido o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, e o
ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) sobre a adoção de novas
medidas para beneficiar os contribuintes pessoas físicas, como a correção
na tabela do Imposto de Renda. Os dois têm afirmado que a idéia
do governo é privilegiar os que ganham menos.
Rachid voltou a dizer ontem que a Receita ainda está estudando novas
medidas e que, em breve, as apresentará ao governo, "com os conseqüentes
custos" -ou seja, perdas de arrecadação.
Pedidos de redução da carga tributária marcaram a última
reunião do grupo de trabalho criado pelo CDES (Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social) para estudar medidas de estímulo às
micro e pequenas empresas.
Depois de 14 meses, o grupo foi desativado ontem. Nesse período, membros
do governo e do setor privado se reuniram cinco vezes para discutir a situação
das empresas de pequeno porte.
Para o secretário do CDES, o ministro Jacques Wagner, "grandes passos"
foram dados pelo grupo de trabalho. Ontem, representantes de cooperativas reivindicavam
que o setor fosse incluído no Simples -sistema simplificado de pagamento
de tributos federais.
O pedido foi ouvido pelo secretário da Receita Federal, Jorge Rachid,
que afirmou ser preciso estudar o assunto "com cuidado", pois haveria
dificuldade em diferenciar, em alguns casos, uma cooperativa de uma empresa
de grande porte. Motivo: esta última não pode ser beneficiada
pelo Simples.
Entre os êxitos do grupo de trabalho, Jacques Wagner citou o programa
de incentivo ao microcrédito anunciado pelo governo nesta semana. A idéia
do programa, segundo ele, surgiu durante as discussões realizadas pelo
grupo.