08/12/2004
FOLHA DE SÃO PAULO
LEÃO GULOSO
Ministro acha "sadia" discussão para reduzir imposto; Rachid diz que mudança em 2005 é possível se for para reduzir taxa
Palocci afirma que IR no Brasil não é
alto
JULIANNA SOFIA
ANDRÉ SOLIANI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Um dia depois de afirmar que seria possível promover uma correção
da tabela do IR neste ano, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, declarou
ontem que esse tributo no Brasil não é alto. Ele acrescentou que
o governo busca uma "melhoria" no imposto, principalmente para as
pessoas que ganham menos.
"O Imposto de Renda no Brasil comparativamente a outros países não
é alto. Proporcionalmente a outros tributos, o IR não é
excessivo", disse o ministro, depois de encontro com o presidente da Câmara,
João Paulo Cunha (PT-SP).
Segundo Palocci, embora o imposto não seja "alto", o governo
considera as reivindicações para ajuste no IR "uma questão
sadia".
"É legítimo que os trabalhadores, em um momento de crescimento
do Brasil e de aumento do emprego, façam demandas. Mas o meu papel é
fechar contas."
Após participar de debate numa comissão da Câmara, o secretário
da Receita Federal, Jorge Rachid, disse que a mudança na tabela do IR
poderia ser feita por uma medida provisória neste ano ou no próximo.
Segundo ele, medidas para diminuir a arrecadação podem ser implementadas
no mesmo ano em que são editadas. "Para cobrar mais, não",
disse ele, à tarde, ao deixar o Congresso.
Negociações
O governo negocia com as centrais sindicais mudanças na tabela do IR
da pessoa física. Em agosto, a Fazenda criou um redutor de R$ 100 sobre
a base de cálculo do imposto como resposta provisória às
pressões dos sindicalistas.
Na época, foi acordado que o redutor valeria até este mês.
Para 2005, o governo se comprometeu a estudar medidas definitivas. As centrais
sindicais reivindicam reajuste de 17% na tabela, o que significaria a reposição
da inflação acumulada no governo Lula.
Visto pelo lado do governo, haveria perda de R$ 2,7 bilhões na arrecadação.
Visto pelo lado dos contribuintes, significaria um ganho do mesmo valor, que
poderia ser destinado ao consumo.
A Receita se opõe à correção pela
inflação por avaliar que, além de provocar perdas de arrecadação,
a medida seria uma volta aos tempos da indexação (mas as tarifas
públicas são corrigidas anualmente, e em geral por índices
muito superiores aos reajustes salariais dos trabalhadores). "A perda é
muito grande e isso custa ao Estado. Haverá menos recursos para atender
as necessidades. O Orçamento, como os senhores sabem, é apertado",
disse Rachid.
Na segunda-feira, Palocci sinalizou que poderia haver correção
da tabela neste ano. Ontem, as declarações do ministro foram mais
contidas. "Os que pagam Imposto de Renda são 7,5% da população
economicamente ativa. Aqueles que ganham menos tiveram o redutor de R$ 100 neste
ano e podem ter algum nível de melhoria."
O redutor proporcionou ganhos de até R$ 15 por mês para quem ganha
de R$ 1.058 a R$ 2.115 por mês (ganho máximo de R$ 90 neste ano)
e de R$ 27,50 para quem ganha mais de R$ 2.115 (ganho anual máximo de
R$ 165).
O ministro disse ainda que o governo enviará sua proposta ao Congresso,
a quem caberá dar a palavra final sobre o assunto.