09/12/2004
FOLHA DE SÃO PAULO
TRIBUTAÇÃO
Se a proposta for aceita, limite de isenção passa de R$ 1.058 para R$ 1.164; governo deverá concordar com o reajuste
Centrais propõem correção de 10%
na tabela do IR
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As centrais sindicais apresentaram ontem ao governo uma proposta para reajustar,
escalonadamente, a tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas. O
reajuste para 2005, a ser aprovado neste ano, seria de 10%.
Se for aprovado, esse reajuste elevaria o limite de isenção de
R$ 1.058 para R$ 1.164, praticamente o mesmo limite com o redutor de R$ 100
na base de cálculo (na prática, o redutor isenta os ganhos até
R$ 1.158).
Uma correção de 10% traria ganhos modestos para os trabalhadores:
para os que estão na faixa de 15%, o ganho seria de cerca de R$ 190 por
ano; para os que estão na de 27,5%, de cerca de R$ 350.
A Folha apurou que a equipe econômica praticamente aceitou a proposta,
mas poderá adotar mecanismos para compensar perdas de receita, provavelmente
com a criação de novas alíquotas.
Pela proposta das centrais sindicais, a correção da tabela do
IR até 2007 seria de 17%, inflação estimada nos dois primeiros
anos do governo Lula, mais as inflações de 2005 e de 2006. Com
isso, a tabela seria corrigida pela inflação dos quatro anos do
governo Lula.
Para compensar a perda de receita decorrente da medida, a alternativa mais provável,
segundo a Folha apurou, é que sejam criadas novas alíquotas.
A sugestão foi apresentada ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho,
pelos líderes de seis centrais sindicais. A expectativa dos sindicalistas
é que haja uma definição até quarta-feira da próxima
semana, quando chegará a Brasília uma marcha organizada pelas
entidades em defesa da correção da tabela do IR.
Na reunião, Palocci chegou a questionar os sindicalistas sobre a possibilidade
de ser criada uma alíquota de 10% para a faixa salarial entre R$ 1.058
e R$ 1.590. Outra hipótese seria a criação de uma alíquota
de 35% para ganhos salariais maiores.
Hoje, a tabela prevê isenção até R$ 1.058. Acima
desse valor e até R$ 2.115, incide a alíquota de 15%. Para valores
acima de R$ 2.115, há a cobrança de 27,5%. "Não aceitamos
criar outras alíquotas. Fica muito difícil explicar isso na porta
da fábrica", disse o presidente da Força Sindical, Paulo
Pereira da Silva, o Paulinho.
Oficialmente, o Ministério da Fazenda informou que a proposta é
dos sindicalistas, mas que o diálogo entre o ministro e os líderes
das centrais foi produtivo.
"Essa proposta que apresentamos ao governo faria com que a gestão
Lula resolvesse toda a defasagem, atual e futura, da tabela durante a sua administração.
O governo ficou de analisar", declarou o presidente da CUT, Luiz Marinho.
As centrais sindicais argumentam que 17% é a perda resultante da inflação
no governo Lula. Antes da reunião com Palocci, eles defenderam esse percentual
como reajuste mínimo a ser aceito nas negociações com o
governo.
Nas contas da Receita Federal, um reajuste de 17% na tabela geraria perda de
receita de R$ 2,7 bilhões para os cofres federais. Esse também
será o prejuízo dos trabalhadores se a tabela não for corrigida
a partir de janeiro de 2005.
No encontro, os sindicalistas também reafirmaram ao ministro que a proposta
das centrais para o reajuste do salário mínimo em 2005 seria de
mais R$ 60. Ou seja, o mínimo passaria dos atuais R$ 260 para R$ 320.
Receita libera consulta ao 7º lote deste ano
DA FOLHA ONLINE
A Receita liberou ontem à noite a consulta ao sétimo -e último-
lote de restituições do Imposto de Renda das pessoas físicas
deste ano. A consulta está disponível na internet (www.receita.fazenda.gov.br)
e pelo telefone 0300-78-0300.
Nesse lote foram processadas 267,15 mil declarações, sendo 178,44
mil com imposto a restituir, no valor de R$ 151,10 milhões (média
de R$ 566).
Outros 58,13 mil contribuintes terão imposto a pagar, no valor de R$
23,96 milhões. A Receita apurou ainda que 30,58 mil declarações
tiveram saldo zero de imposto.
O valor da restituição terá correção de 9,75%,
referente à taxa Selic acumulada de maio a novembro e 1% deste mês.
O dinheiro estará disponível para saque no dia 15 na conta corrente
ou de poupança indicada pelo contribuinte.
Quem não informou o número da conta pode ir a uma agência
do Banco do Brasil ou ligar para 0800-78-5678 e pedir a transferência
do dinheiro para qualquer banco em que seja correntista. Não há
cobrança de taxa por esse serviço.
A Receita reteve 495 mil contribuintes na malha fina neste ano (queda de 6,6%
em relação aos 530 mil de 2003). Em 2002, foram 597 mil.