17/12/2004
FOLHA DE SÃO PAULO
HORA DO AJUSTE
Central não aceita correção parcial do IR; se governo não recuar, Congresso será pressionado, diz Paulinho
Força quer reajuste de 10% para abatimentos
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Força Sindical, uma das seis centrais que negociaram com o governo
o aumento do salário mínimo e a correção da tabela
do Imposto de Renda, anunciou que não aceitará o reajuste parcial
do tributo. Segundo a central, o governo se comprometeu a reajustar em 10% não
só as faixas da tabela para cálculo do imposto, mas todas as deduções.
"Se forem só as faixas, é o mesmo que dar com uma mão
e tirar com a outra", disse o presidente da Força Sindical, Paulo
Pereira da Silva, o Paulinho, que foi um dos negociadores com o governo.
Ele relatou que, nas conversas com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho,
havia ficado muito claro que as deduções faziam parte da negociação.
Na quarta-feira, em reunião com líderes sindicais, o presidente
Lula anunciou que a tabela do Imposto de Renda será corrigida em 10%
a partir de janeiro de 2005. Horas depois do encontro, integrantes da equipe
econômica informaram que as deduções não seriam corrigidas.
O reajuste de 10% se limitaria às faixas sobre as quais incidem as alíquotas
para cálculo do imposto. Na prática, isso reduz para cerca de
7% a correção no caso de contribuintes que atualmente utilizam
o sistema de deduções.
Esses descontos podem ocorrer com contribuintes que têm dependentes (pais,
mulher e filhos) e gastos com educação.
Receita fica quieta
A Receita Federal informou que não se manifestará sobre a correção
da tabela até que a medida provisória com a mudança esteja
pronta. Procurado pela Folha, o Ministério da Fazenda não se pronunciou
sobre o assunto. A reportagem também não conseguiu falar com o
presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Luiz Marinho.
Paulinho disse que a MP com a correção da tabela será enviada
ao Congresso e, caso o governo insista em manter o reajuste limitado às
faixas, os sindicalistas pressionarão os parlamentares para alterar o
texto do Executivo.
A tabela do IR foi corrigida pela última vez em 2002 -em 17,5%. Em agosto
deste ano, o governo criou o redutor de R$ 100 aplicado à base de cálculo
do imposto.
A medida, que vale até o final deste mês (incluindo o 13º
salário) e apenas para os trabalhadores assalariados, foi uma resposta
temporária à reivindicação das centrais sindicais
de corrigir a tabela.
Na época em que o redutor foi anunciado, o governo também se comprometeu
com os líderes sindicais a promover uma alteração definitiva
no IR a partir de 2005.
Pelos cálculos do governo, a correção da tabela em 10%
provocará perda de arrecadação de R$ 2 bilhões no
próximo ano -de R$ 30 bilhões para R$ 28 bilhões.