|
Quarta-feira, 15 de setembro de 2004
Valor
PMDB votará contra reforma sindical,
diz Temer
César Felício De São Paulo
Já começou a articulação na Câmara dos
Deputados para tentar barrar a aprovação da emenda constitucional
da reforma sindical que o governo deve encaminhar ao Congresso nos próximos
dias. O texto do governo prevê o fim da unicidade sindical e levanta
resistências dentro da própria base governista. O principal
argumento contra a proposta é político: o projeto aumenta
o poder das grandes centrais sindicais, em detrimento dos sindicatos por
categoria, de base territorial.
A reforma permitirá que mais de um sindicato represente uma categoria
por local de trabalho. Na prática, significa que a CUT não
precisará disputar com a Força Sindical a presidência
de um sindicato: cada central poderá organizar suas instituições
de base livremente. Uma mudança que deixará as centrais
mais próximas das negociações trabalhistas de cada
categoria. O modelo inspirador da reforma é o do sindicalismo europeu,
em especial o da Alemanha, em que centrais controladas por partidos políticos
comandam o processo sindical.
"Precisamos tomar cuidado. A pluralidade pulveriza o movimento sindical
e caminhar para o autoritarismo é quase um passo. No Brasil, se
o poder público puder, ele vai interferir no movimento sindical",
afirmou o presidente do PMDB, Michel Temer (SP). Ele disse que o PMDB
já decidiu em convenção nacional apoiar a unicidade
sindical e que manterá a posição no Congresso.
Temer foi palestrante ontem de um evento patrocinado pela Federação
Nacional dos Empregados Vendedores e Viajantes do Comércio, Propagandistas,
Propagandistas-Vendedores e Vendedores de Produtos Farmacêuticos
(Fenavenpro) e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores
do Comércio (CNTC).
Durante o encontro, o pemedebista chegou a sugerir estratégias
para os dirigentes sindicais defenderem suas posições no
Congresso. "Vocês devem procurar abordar os parlamentares da
maneira mais didática possível", afirmou. Depois do
evento, Temer afirmou que a proposta preocupava por vir junto de uma série
de iniciativas que poderiam caracterizar uma interferência do poder
público sobre a sociedade civil: a criação de um
Conselho Federal de Jornalistas, a proposta de agência reguladora
para a atividade audiovisual, restrições a manifestações
do Ministério Público e de servidores, entre outras.
"Não estou dizendo que a proposta em si provoca um aparelhamento
do sindicato por um grupo político, mas que pode representar um
risco neste sentido", afirmou o pemedebista, que lembrou que o partido
já aprovou uma recomendação contra o fim da unicidade
sindical.
Também da base governista, o deputado Sérgio Miranda (PCdoB-MG)
colhe assinaturas para um projeto que vai em direção contrária
ao que o governo propõe. Para Miranda, a iniciativa do Planalto
deve ser vista com reservas porque traria embutida dentro de si a reforma
dos direitos trabalhistas. "A reforma sindical cria um quadro que
favorece a noção da prevalência do negociado sobre
o legislado. Uma parte do PT subestima o poder regulador do Estado e esta
reforma abre o campo para excluir o poder público desta regulação",
disse o comunista.
Para Miranda, "o projeto vai fortalecer muito as duas principais
centrais sindicais, permitindo que a correção Articulação,
que controla atualmente a CUT, passe a dominar o movimento sindical como
um todo". De cada dois sindicatos do país, um é filiado
à Central Única dos Trabalhadores. Já a Força
Sindical reúne um em cada cinco. Outras cinco centrais que o governo
reconhece como interlocutoras dividem os 15% restantes.
Para embaixador dos EUA, pirataria é
o pior problema
Francisco Góes Do Rio
O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, John Danilovich, disse ontem
que a pirataria é a principal preocupação das empresas
americanas no país. "As empresas americanas têm essa
preocupação pelas enormes perdas impostas com a pirataria
e o não pagamento de direitos de propriedade e, por conseqüência,
as companhias procuram investir em países que têm proteção
adequada", disse Danilovich.
Ele informou que os direitos de propriedade intelectual estarão
na pauta de encontros que o vice-representante de comércio dos
Estados Unidos, Peter Allgeier, manterá, em Brasília, na
próxima semana. O embaixador disse que a falta de proteção
na pirataria gera alto custo, com perdas econômicas diretas e indiretas,
incluindo reduções de receita com direitos de propriedade.
"Em 2003, estimativas da indústria indicaram que o Brasil
sofreu cerca de US$ 800 milhões de perdas com a pirataria e o não
pagamento de direitos autorais", disse Danilovich. Ele lembrou que
esta é a maior perda do hemisfério americano e significou
crescimento de 10% em relação a 2002.
Ele falou sobre as relações Brasil-EUA em almoço
promovido pela Câmara de Comércio Americana, no Rio. Danilovich
avaliou que a violação dos direitos de propriedade é
uma "atividade criminal que afeta muitas indústrias, como
a farmacêutica, mas também intelectuais e artistas.
O objetivo dos EUA, segundo ele, é colaborar com o Brasil para
reduzir e até erradicar violações contra os direitos
de propriedade intelectual. "É uma questão crucial
a ser resolvida entre os nossos países", avaliou.
Em relação à Área de Livre Comércio
das Américas (Alca), Danilovich salientou que o tema também
será discutido por Allgeier na sua visita ao Brasil.
Ele reconheceu que em função das eleições
americanas, em novembro, pensar em concluir o acordo até janeiro
de 2005, como previsto inicialmente, é "otimismo demais".
Ele acrescentou que é impossível prever uma nova data para
concluir as negociações da Alca, já que a negociação
envolve todos os países do continente (com exceção
de Cuba).
Ele também elogiou a perspectiva de avanços no acordo a
ser fechado entre o Mercosul e a União Européia (UE).

|