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Segunda-feira, 04 de outubro de 2004
Valor
Governo vai debater criação de novas alíquotas
de IR após as eleições
O "pacote de bondades tributárias" do governo para o
setor produtivo neste ano acabou na sexta-feira, disse o secretário
da Receita Federal, Jorge Rachid. Segundo ele, a Medida Provisória
219, publicada no Diário Oficial do dia 1º de outubro, é
o limite do que o governo pode oferecer em 2004. Outras desonerações
só em 2005, se a arrecadação permitir.
Rachid também negou a possibilidade de o governo corrigir a tabela
de Imposto de Renda no exercício de 2005, uma vez que "nada
na economia brasileira é indexado". Há, no entanto,
a possibilidade de se criarem novas alíquotas para aumentar a base
de arrecadação. "Nossa orientação é
aumentar a base de contribuintes do IR", resumiu o secretário.
Segundo ele, as discussões sobre o assunto serão retomadas
no Congresso Nacional após as eleições municipais.
A MP 219 permite que as empresas que adquirirem máquinas e equipamentos
até dezembro de 2005 tenham descontos 25% maiores sobre a depreciação
do material. Esse "bônus" deve ser deduzido exclusivamente
da base de cálculo da Contribuição Social sobre Lucro
Líquido (CSLL). Não há mudanças nos descontos
que já incidem sobre a base do Imposto de Renda Pessoa Jurídica.
"Não podemos fazer bondades com recursos que são compartilhados
com Estados e municípios, como é o caso do IRPJ", justificou
Rachid.
A MP também corta pela metade o prazo de aproveitamento de crédito
de PIS e Cofins sobre compra de bens de capital, que agora é de
24 meses. O secretário estima que essas medidas vão representar
perda fiscal de R$ 1,7 bilhão anual.
Atualmente, as empresas já podem abater da base de cálculo
do IR 10% do valor do equipamento, ao longo de 10 anos. Com o "bônus"
de 25%, Rachid calcula que a dedução será feita em
quatro anos. Se o equipamento for usado em três turnos de trabalho,
a despesa poderá ser abatida em dobro. A renúncia fiscal,
só com essa medida, é calculada em R$ 500 milhões.
A mesma MP permite que as empresas possam antecipar, em dois anos, o aproveitamento
dos créditos de PIS e Cofins, cujas alíquotas somam 9,25%,
a título de depreciação de máquinas e equipamentos
adquiridos. Esse prazo já foi de 10 anos, caiu para quatro anos
e agora para dois anos. A medida deve gerar perda fiscal de R$ 1,2 bilhão.
Ao detalhar a MP, Rachid também traçou um histórico
das ações do governo federal para reduzir o impacto da carga
tributária neste ano. Rachid dividiu as medidas em três grupos:
de estímulo ao investimento; fortalecimento da poupança
interna; e incentivos sociais. Ao todo, essas desonerações
representaram um impacto na arrecadação anual de R$ 3,5
bilhões a R$ 4 bilhões.
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