DEBATE
Super-Receita do Brasil
A sociedade paga
VERA TERESA BALlEIRO
Presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Rio de Janeiro
Ninguém discorda da importância de aumentar"
a eficiência da arrecadação. O que não está
esclarecido é como a concentração de poder e a criação
de uma estrutura hipertrofiada vai melhorar a fiscalização, a
arrecadação e o atendimento ao contribuinte.
O Governo propõe que os recursos arrecadados pela Receita Federal e pela
Previdência sejam administrados pelo Ministério da Fazenda. Quer
dizer que agora o dinheiro para pagar a aposentadoria de 23 milhões de
brasileiros poderá ser manobrado para engordar o superávit primário?
Quarta-feira, no Senado, o ministro da Fazenda perdeu a oportunidade de prestar
esses esclarecimentos. Limitou-se a dizer que a fusão é fato consumado
e que desfazê-Ia causará grandes prejuízos ao País.
Pelo contrário: o prejuízo será a aprovação
da MP 258, com infindáveis controvérsias na Justiça e as
dificuldades operacionais que já enfrenta.
Em recente estudo, uma comissão especial da OAB encontrou flagrantes
inconstitucionalidades na MP. Tanto é que a OAB também recomendou
a sua rejeição ao Senado.
O resultado das primeiras experiências com o novo sistema tem sido caótico.
No posto da Previdência da Rua das laranjeiras, Zona Sul do Rio, as pessoas
ficam três, quatro horas na fila e não resolvem seus problemas,
pois os assuntos de arrecadação serão tratados na Receita
Federal do Brasil, em Copacabana. A unificação só gerou
dificuldades e confusão. Matéria tão complexa não
deveria ser decidida em tão pouco tempo e por medida provisória.
O instrumento adequado seria um projeto de lei, para permitir o necessário
debate com a sociedade.
Em um ponto, concordamos com o Governo: o preço da aventura da fusão
será pago pela sociedade.