11/10/2005

FOLHA ONLINE

 

 

Paralisação de auditores vai até quinta-feira
DA REPORTAGEM, LOCAL

 

Os auditores-fiscais da Receita Federal iniciaram ontem uma nova paralisação de 96 horas em todo o país. Assim, pelo menos até quinta-feira, dia 13 deste mês, os auditores permanecerão em greve. Na sexta-feira, dia 14, será realizada uma nova assembléia da categoria para avaliar o movimento.

Conforme assembléias realizadas na sexta-feira em todo o país, os auditores entraram em greve "como advertência contra os riscos, as ilegalidades e os efeitos nocivos da MP nº 258, que cria a "Super-Receita'".

Para a presidente do Unafisco São Paulo, Carmen Cecília Bressane, "é incompreensível a urgência para fazer essa fusão de dois órgãos que vêm desempenhando bem o seu papel".

De maneira geral, a categoria está retardando o lançamento dos autos de infração, que são os créditos tributários e ingressos de recursos para a União. Esse retardamento atinge também os termos de notificação aos contribuintes e o resultado das auditorias.

Segundo o Unafisco São Paulo, a paralisação compromete as metas futuras de fiscalização e arrecadação, pois o trabalho da fiscalização só repercute na arrecadação meses depois.

O Unafisco e diversas entidades que lutam contra a MP 258 (OAB, Fiesp, CUT, CNI, CNC e outras) farão um ato público hoje, das 10h às 12h, na Câmara dos Deputados, em Brasília.


 

 

TRIBUTAÇÃO

Impasse está na quitação de sentenças judiciais

Governo e oposição tentarão hoje lance final para salvar "MP do Bem"
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Fracassou ontem a penúltima tentativa da Câmara dos Deputados de concluir a votação da medida provisória batizada de "MP do Bem". Se não for aprovada hoje, a medida, que reduz tributos para uma série de setores e foi a principal iniciativa econômica do governo neste ano, deixará de vigorar e só poderá ser reeditada em 2006.

Após um dia inteiro de negociações, governo e oposição não conseguiram solucionar o impasse iniciado na semana passada, quando o Senado incluiu na MP, por orientação do Planalto, um artigo autorizando a União a transferir para o ano seguinte os pagamentos de pequenas causas judiciais para os quais não houver dinheiro previsto no Orçamento.

A regra, votada pelos senadores sem prévia discussão política, revoltou a oposição e parte da base aliada na Câmara. Na última hora, tentava-se um entendimento para tirá-la da "MP do Bem" e discutir o tema na MP nº 255, em tramitação no Senado, que trata da tributação sobre fundos de pensão.

No entanto, resistências do ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) e de parlamentares de diversos partidos impossibilitaram a votação. Às 22h37, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, encerrou a sessão e convocou outra para as 9h de hoje.

Impulsionado por medidas de modernização do Judiciário, o pagamento de sentenças judiciais de pequenas causas se tornou um transtorno para o governo, que já espera para o próximo ano uma despesa de R$ 5,7 bilhões.

Segundo o ministro Paulo Bernardo (Planejamento), esse foi o valor pedido pelo Conselho de Justiça Federal no Orçamento de 2006 para o pagamento das causas até 60 salários mínimos (R$ 18 mil, em valores atuais), que devem ser quitadas em até 60 dias. Como comparação, todo o investimento federal com recursos orçamentários neste ano, até o início de setembro, somou apenas R$ 4,1 bilhões.

Uma alternativa estudada ontem era fechar um acordo amplo para alterar a legislação das pequenas causas, elevando os prazos de pagamento e reduzindo o teto de 60 salários mínimos que define as pequenas causas. Tanto o governo como a oposição teriam a perder com a eventual queda da "MP do Bem", que beneficia diversos setores da economia.

Desvirtuamento
Para Bernardo, o espírito da legislação em torno das pequenas causas foi desvirtuado. "Uma coisa é um carro oficial bater em outro veículo e a União pagar pelo prejuízo. Outra são causas coletivas transformadas em centenas de pequenas causas."

Trata-se de uma referência à principal razão da disparada dos gastos com o pagamento de pequenas causas: a correção de benefícios de aposentados determinada em 2003 pela Justiça. Embora o governo tenha proposto um acordo para escalonar a despesa, aposentados têm entrado com ações para receber já o dinheiro.

Com isso, as despesas com pequenas causas saltaram de R$ 700 milhões em 2003 para R$ 2,6 bilhões em 2004, enquanto o número de ações passou de 109 mil para 315 mil. Neste ano, até agosto, os gastos chegaram a R$ 2,3 bilhões e, segundo o Planejamento, deverão atingir R$ 3,8 bilhões.