25/10/2005

FOLHA ONLINE

 

 

TRIBUTOS

Cerca de 30 mil pedidos de CNPJ deixaram de ser emitidos, e dívidas podem aumentar por causa de paralisação

Greve da Receita "trava" novas empresas
ADRIANA MATTOS
DA REPORTAGEM LOCAL

Desde o início da greve dos técnicos e auditores da Receita Federal, deixaram de ser expedidos 30 mil CNPJs (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) para as novas empresas no Brasil, segundo contas da ACSP (Associação Comercial de São Paulo). É possível fazer o cálculo com base na emissão média diária do documento no país. Sem o CNPJ, as companhias não podem operar de forma legal.

A paralisação dos técnicos e auditores continua, no mínimo, até o final desta semana, quando os sindicatos dos trabalhadores se reúnem e discutem em assembléia a possibilidade de continuar o ato por mais uma semana.

"O problema aí é que as companhias já estão praticamente montadas, pagando trabalhadores e aluguel, mas ainda sem o CNPJ, e, por isso, não podem trabalhar", disse ontem Guilherme Afif Domingos, presidente da ACSP. Pelas contas iniciais do Sescon (Sindicato das Empresas de Serviços Contáveis e das Empresas de Assessoramento no Estado de São Paulo), existiam cerca de 10 mil pedidos de CNPJ parados até o início do mês. Como as paralisações deixaram de ser feitas por algumas horas ao dia para se transformar em período integral, o volume de pedidos cresceu.

O CNPJ é o cadastro administrado pela Receita, que registra as informações cadastrais das pessoas jurídicas. Quem já fez a solicitação do número pela internet pode obtê-la pela web, mas aqueles que fizeram o cadastramento em agências, inspetorias e delegacias da Receita têm dificuldades para obter o número.

Ainda há outro problema envolvido: a greve "trava" a emissão da Certidão Negativa de Débito. Sem o documento, as empresas ficam impossibilitadas de participar de licitação, pedir empréstimo em bancos públicos, fazer desembaraço aduaneiro ou solicitar alterações societárias.

O secretário-adjunto da Receita nega, porém, que o movimento atrapalhe as companhias. Segundo ele afirmou na última semana, "quem está com a situação regular na Receita pode tirar a certidão pela internet". Mas os que tentam negociar eventuais valores devidos para obter o documento não conseguem o documento, afirma Antônio Marangon, presidente do Sescon.

Os auditores fiscais e técnicos da Receita são contra a edição da medida provisória 258. A MP uniu as secretarias da Receita Federal e da Previdência Social na chamada Receita Federal do Brasil -apelidada de Super-Receita. Para os funcionários públicos, a unificação foi feita sem o diálogo entre as partes. A reclamação principal é que não foram definidas as obrigações de cada categoria de trabalhadores após a união dos órgãos.

Por meio de entidades do comércio e da indústria, as empresas ainda reclamam da impossibilidade de fazer o pagamento de 75 mil autos de infração, expedidos desde o início de setembro pela Receita. Estão sendo cobradas, diz Cardoso, "acréscimos legais" sobre recolhimento de impostos, como PIS, Cofins e IR, feitos em atraso em 2000 e 2001. A ACSP reclama que as companhias não conseguem pagar o valor devido e diz que há multa para atrasos. Os valores cobrados variam de R$ 1.000 a R$ 2.000 e a multa é de 75% sobre o montante do débito.

Segundo o fisco, pelo menos 30% dos funcionários das categorias em greve devem trabalhar normalmente e as companhias devem procurar os postos de atendimento em operação.