22/11/2005

FOLHA DE SÃO PAULO

 

Comando da arrecadação continua unificado
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O comando das secretarias da Receita Federal e da Receita Previdenciária permanecerá unificado, apesar de a medida provisória que fundiu os dois órgãos na "Super-Receita" ter perdido a validade na semana passada. O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, acumulará a atual função com a chefia da Receita Previdenciária.

"Como forma de reduzir os prejuízos e evitar retrocessos, o comando das secretarias continuará unificado. Isso é um sinal claro de que a unificação é muito importante", afirmou o ministro da Previdência Social, Nelson Machado. "Na medida do possível, e naquilo que não houver óbice legal, vamos trabalhar de forma integrada", declarou Rachid.

O governo deverá enviar ainda nesta semana um projeto de lei ao Congresso, com pedido de urgência constitucional para votação, para restabelecer a "Super-Receita". Machado adiantou que o texto será o mesmo aprovado pela Câmara dos Deputados ao votar o projeto de conversão da Medida Provisória nº 258 em lei. A MP foi invalidada porque não foi apreciada a tempo pelo Senado.

O ministro explicou que, até a aprovação do projeto de lei, os postos de atendimento que já vinham trabalhando de forma integrada continuarão a funcionar dessa maneira. "Vamos apenas gastar mais papel. Porque teremos que ter os impressos da Receita e os da Previdência", disse o ministro.

Ele acrescentou que ações fiscais que vinham sendo realizadas conjuntamente poderão ser mantidas. Ou seja, um auditor da Receita Federal e outro da Receita Previdenciária poderão fiscalizar uma mesma empresa ao mesmo tempo. Além disso, o plano de ações fiscais para 2006, que vinha sendo desenvolvido de forma integrada, continuará sendo discutido em conjunto.

Rachid afirmou, no entanto, que a unificação dos prazos das certidões negativas de débito acabará. Antes da "Super-Receita", a validade da certidão na área previdenciária era de 60 dias. No caso da Receita Federal, era de 180 dias. Com a fusão, o prazo foi unificado em 180 dias.

Desde sexta-feira, quando a medida provisória perdeu validade, a cúpula da "Super-Receita" vem trabalhando para redefinir funções e fazer uma reestruturação. Na edição extra do "Diário Oficial" da União de sábado, foram publicadas várias portarias e dois decretos para ajustar normas e remanejar servidores.

Dos oito secretários-adjuntos da "Super-Receita", três voltaram para os quadros da Receita Previdenciária ocupando função de diretores. Rachid acumulará as duas funções, de acordo com uma das portarias, mas não poderá acumular os salários.
Machado disse ainda que o edital do concurso em andamento para contratação de auditor e técnico da "Super-Receita" deverá sofrer pequenos ajustes pelo Ministério do Planejamento.


Servidores da Receita Federal encerram greve
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os servidores da Receita Federal voltaram ao trabalho ontem depois de uma greve de mais de três meses. A paralisação tinha por objetivo protestar contra a medida provisória que criava a chamada "Super-Receita" - órgão que reuniria as secretarias da Receita Federal e a Receita Previdenciária.

Como não foi aprovada a tempo pelo Congresso, a MP perdeu a validade na sexta-feira passada. Com isso, técnicos e auditores da Receita Federal decidiram por fim à greve.

Apesar da derrota, o governo deve insistir na criação da "Super-Receita", provavelmente com um projeto de lei a ser encaminhado ao Congresso.

O governo argumenta que a fusão traria mais eficiência na arrecadação e na fiscalização. Para os sindicatos, um caixa único para as duas secretarias poderia prejudicar os benefícios previdenciários.