Servidor pressiona União
Prazo de medidas provisórias preocupa sindicatos, que esperam mais novidades até amanhã
Luciene Braga Ibraga@odianet.com.br
Servidores das categorias que fecharam acordo com o governo
federal esperam com ansiedade o anúncio das medidas provisórias
restantes que oficializam "reajustes e planos de reestruturação
de cargos e carreiras. A expectativa é que, até amanhã,
seja publicada MP que contempla os civis lotados em hospitais das Forças
Armadas e o pessoal da Seguridade Social, que abrange servidores da Saúde,
delegacias regionais do Trabalho e Previdência Social. "
A tensão faz com que os servidores, organizados, empenhem-se em obter
um sinal verde do Ministério do Planejamento. "Estou sendo sitiado",
admitiu o ministro da pasta, Paulo Bernardo. Segundo ele, só o Judiciário
terá um custo de R$ 5,2 bilhões - limite para aumentar todo o
funcionalismo. O ministro afirmou que está negociando com a presidente
do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, o pagamento do reajuste de
uma forma parcelada.
MILITARES
O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) afirmou que a MP dos militares também
está em fase de elaboração: "Eu me reuni com o ministro
da Defesa, Waldir Pires, com o vice-presidente, José Alencar, e com o
general Félix, que está próximo à ministra da Casa
Civil, Dilma Rousseff, para negociar".
Bolsonaro revelou um impasse: no ano passado, os militares esperavam um reajuste
de 23% em março, dividido em duas partes, novembro (13%) e agosto (10%).
Mas técnicos do Ministério da Fazenda querem que o percentual
agora seja de 8,85%. A justificativa é que o aumento ficaria superior
a 23%, já que os 10% seriam acrescentados aos salários já
reajustados em 13%. "Esse ponto está em discussão, e o percentual
menor já foi autorizado pelo Planejamento. Temos o apoio dos ministros,
que vão levar a reivindicação à Casa Civil. Mas
também esperamos a inclusão, no texto, da volta do auxílio
invalidez para 4 mil reformados", explicou Bolsonaro.
Estão em greve pelo cumprimento dos acordos selados ao longo do governo
Lula os servidores do Ibama (18 mil), Incra (7 mil), Funai (2.200), Minitério
da Indústria (5OO) – que fazem parte da classe média do
funcionalismo - auditores da Receita (7.700 ) e INSS (33 mil, que só
param até hoje).
Mais de 600 mil na dependência do Planejamento
Hoje, servidores de diversas categorias farão ato em frente à Esplanada dos Ministérios, informou a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef). Quase todos têm algum acordo com o governo, ainda não cumprido.
Mais de 600 mil funcionários da União ainda aguardam
divulgação de reajuste. "Se as medidas provisórias
não atenderem às nossas expectativas, os servidores em greve não
vão ceder", avisou o secretário-geral do Condsef, Josemilton
da Costa.
Quinhentos auditores da Receita, em greve há um mês, fizeram manifestação
em frente ao Ministêrio da Fazenda e ao Congresso, para cobrar a reabertura
de negociação com o governo, a fim de não agravar o prejuízo
das empresas. Eles ameaçam entregar seus cargos, em massa. Presidente
da delegacia do Unafisco Sindical no Rio, Vera Teresa Balieiro
afirmou que os auditores acumulam uma defasagem salarial de 10 anos.
Ontem, 70 mil servidores do Sindireceita cruzaram os braços, no Movimento
em Defesa do Estado Brasileiro, para cobrar a reestruturação das
carreiras. O pessoal do INSS mantém a paralisação que termina
hoje. No Rio, as agências Copacabana, Cosme Velho e Botafogo aderiram
à greve nacional.