O DIA - 01/06/2006

 


Servidor pressiona União

Prazo de medidas provisórias preocupa sindicatos, que esperam mais novidades até amanhã

Luciene Braga Ibraga@odianet.com.br

Servidores das categorias que fecharam acordo com o governo federal esperam com ansiedade o anúncio das medidas provisórias restantes que oficializam "reajustes e planos de reestruturação de cargos e carreiras. A expectativa é que, até amanhã, seja publicada MP que contempla os civis lotados em hospitais das Forças Armadas e o pessoal da Seguridade Social, que abrange servidores da Saúde, delegacias regionais do Trabalho e Previdência Social. "

A tensão faz com que os servidores, organizados, empenhem-se em obter um sinal verde do Ministério do Planejamento. "Estou sendo sitiado", admitiu o ministro da pasta, Paulo Bernardo. Segundo ele, só o Judiciário terá um custo de R$ 5,2 bilhões - limite para aumentar todo o funcionalismo. O ministro afirmou que está negociando com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, o pagamento do reajuste de uma forma parcelada.

MILITARES
O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) afirmou que a MP dos militares também está em fase de elaboração: "Eu me reuni com o ministro da Defesa, Waldir Pires, com o vice-presidente, José Alencar, e com o general Félix, que está próximo à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para negociar".

Bolsonaro revelou um impasse: no ano passado, os militares esperavam um reajuste de 23% em março, dividido em duas partes, novembro (13%) e agosto (10%). Mas técnicos do Ministério da Fazenda querem que o percentual agora seja de 8,85%. A justificativa é que o aumento ficaria superior a 23%, já que os 10% seriam acrescentados aos salários já reajustados em 13%. "Esse ponto está em discussão, e o percentual menor já foi autorizado pelo Planejamento. Temos o apoio dos ministros, que vão levar a reivindicação à Casa Civil. Mas também esperamos a inclusão, no texto, da volta do auxílio invalidez para 4 mil reformados", explicou Bolsonaro.

Estão em greve pelo cumprimento dos acordos selados ao longo do governo Lula os servidores do Ibama (18 mil), Incra (7 mil), Funai (2.200), Minitério da Indústria (5OO) – que fazem parte da classe média do funcionalismo - auditores da Receita (7.700 ) e INSS (33 mil, que só param até hoje).

Mais de 600 mil na dependência do Planejamento

Hoje, servidores de diversas categorias farão ato em frente à Esplanada dos Ministérios, informou a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef). Quase todos têm algum acordo com o governo, ainda não cumprido.

Mais de 600 mil funcionários da União ainda aguardam divulgação de reajuste. "Se as medidas provisórias não atenderem às nossas expectativas, os servidores em greve não vão ceder", avisou o secretário-geral do Condsef, Josemilton da Costa.

Quinhentos auditores da Receita, em greve há um mês, fizeram manifestação em frente ao Ministêrio da Fazenda e ao Congresso, para cobrar a reabertura de negociação com o governo, a fim de não agravar o prejuízo das empresas. Eles ameaçam entregar seus cargos, em massa. Presidente da delegacia do Unafisco Sindical no Rio, Vera Teresa Balieiro afirmou que os auditores acumulam uma defasagem salarial de 10 anos.

Ontem, 70 mil servidores do Sindireceita cruzaram os braços, no Movimento em Defesa do Estado Brasileiro, para cobrar a reestruturação das carreiras. O pessoal do INSS mantém a paralisação que termina hoje. No Rio, as agências Copacabana, Cosme Velho e Botafogo aderiram à greve nacional.