30/05/2006

FOLHA DE SÃO PAULO

 

Governo deve editar 1ª de 6 medidas provisórias para servidores públicos

Funcionário público participa de protestos em frente ao Palácio do Planalto, na semana passada

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O governo deve editar hoje a primeira medida provisória de um pacote de seis MPs provisórias destinadas a conceder reajustes salariais e outros benefícios para cerca de 30 carreiras do funcionalismo público. Os primeiros contemplados serão os servidores do Banco Central.

A um custo estimado em R$ 130 milhões neste ano, o banco terá um reajuste de 10%, retroativo a fevereiro, e uma nova estrutura de cargos e salários. O órgão, que conta com pouco mais de 8.000 servidores, oferece uma das melhores remunerações do Executivo: a despesa média mensal por funcionário ativo é R$ 10.879, segundo os últimos dados oficiais, de novembro de 2005.

A MP deverá encerrar a greve da categoria, iniciada há duas semanas. O aumento salarial foi prometido pelo governo no ano passado, mas teve de esperar a sanção do Orçamento deste ano, cujo atraso foi recorde.

Para conceder os benefícios, o governo apoiou, nos bastidores, um aumento da verba destinada aos reajustes salariais, que, durante a tramitação do projeto de Orçamento de 2006 no Congresso, passou de R$ 1,5 bilhão para R$ 5,1 bilhões.

O objetivo é permitir que cada servidor federal receba um reajuste de pelo menos 29% acumulado ao longo dos quatro anos do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O percentual corresponde à estimativa de inflação somada no período.

Em ano eleitoral, o pacote de reajustes atende a um dos sindicatos que está no reduto dos mais tradicionais do PT.

As outras cinco medidas provisórias continuam em análise na Casa Civil da Presidência. Diferentes categorias do funcionalismo vêm pressionando o governo para também serem incluídas ou ampliarem suas vantagens no pacote.

Governo pode impor "quarentena" de um ano a ex-funcionário público
MALU DELGADO
DA REPORTAGEM LOCAL

Está sob análise da Casa Civil desde o dia 19 um anteprojeto de lei que eleva de quatro meses para um ano o período de quarentena para que funcionários que deixem o serviço público possam ingressar na iniciativa privada.

A Folha apurou que não há fortes resistências ao projeto no governo, especialmente depois da crise política. A proposta será colocada para consulta pública a partir de amanhã. Somente deverá ser protocolada no Congresso em dois meses, o que torna seu debate em ano eleitoral pouco provável.

O anteprojeto foi elaborado pela Controladoria Geral da União. Um prazo mais rigoroso de quarentena vem sendo analisado pela CGU desde março do ano passado. A proposta inicial era que a quarentena fosse de dois anos.

O texto em discussão no governo estabelece ainda que "todos os agentes públicos do Poder Executivo Federal" sejam obrigados a divulgar diariamente na internet sua agenda de compromissos públicos.

A regra valeria para todos os ministros, os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, presidentes e diretores de autarquias, estatais, fundações e sociedades de economia mista.

Os ex-funcionários, inclusive em licença ou temporariamente afastados, teriam ainda que enviar anualmente ao governo "informações sobre sua situação patrimonial e atividades econômicas ou profissionais".

Pela proposta, os ex-agentes públicos não poderão ser remunerados pela União no período de quarentena. Somente quando for comprovada a "impossibilidade de exercício de atividade não conflitante com o desempenho das atribuições do cargo ou emprego por eles ocupado" é que poderão ser autorizados a receber um salário equivalente à remuneração do cargo. Esses casos teriam de ser analisados pela Comissão de Ética Pública.

Quem tiver passado pelo governo, também não poderá prestar serviços de consultoria ou assessoria para o Executivo.