TRIBUNA DA IMPRENSA
Com fim da greve, exportações batem recorde
BRASÍLIA - As exportações bateram na semana passada a marca
recorde de US$ 3,56 bilhões para uma única semana. O resultado
é explicado pelo fim da greve dos auditores fiscais da Receita Federal.
Os embarques de mercadorias encontravam-se represados e ganharam velocidade
e puxaram para cima o valor das exportações. O resultado histórico
das vendas externas brasileiras na primeira semana de julho assegurou o superávit
de US$ 1,69 bilhão.
Foi o melhor saldo semanal do ano e o segundo maior da série do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, atrás apenas do superávit de US$ 1,97 bilhão, registrado na quinta semana de julho de 2005. As importações alcançaram na primeira semana US$ 1,86 bilhão. No ano, o saldo comercial já atingiu US$ 21,22 bilhões, valor que está acima dos US$ 20,03 bilhões obtidos no mesmo período do ano passado.
Números mais favoráveis para a balança comercial já eram esperados com o fim da greve, mas o resultado surpreendeu o mercado financeiro e influenciou ontem uma queda maior do dólar frente ao real. Os fiscais da Receita ficaram em greve por 60 dias, movimento que causou grandes transtornos nos portos e aeroportos, retardando tantos os embarques como os desembarques de mercadorias.
A greve só foi interrompida na semana passada, depois que o governo baixou uma Medida Provisória (MP) incluindo a categoria no grupo de servidores que receberão reajuste salarial. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Unafisco), Carlos André Nogueira, a normalização dos despachos aduaneiros deve levar até 15 dias, dependendo de cada localidade onde a paralisação foi mais forte.
Normalização
Em alguns locais, como o porto de Santos e o aeroporto de Cumbica, onde os fiscais
não pararam por tempo indeterminado, o estoque represado de mercadorias
é menor e a normalização, disse Nogueira, ocorrerá
mais rapidamente. Já em Manaus, nos aeroportos do Rio de Janeiro e Campinas
(Viracopos) e nos portos de Vitória, Itajaí e Rio Grande, a greve
teve mais força e deve demorar mais tempo para os despachos entrarem
na normalidade.
O presidente do Unafisco destacou, no entanto, que cerca de 85% dos despachos aduaneiros são feitos pelo canal verde (livre) e não são afetados pela paralisação dos fiscais. "Os números são fantásticos e animadores, mas estão em boa parte influenciados pelo fim da greve", avaliou o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.
Segundo ele, o resultado excepcional não se deve repetir na próxima semana. De acordo com os dados divulgados ontem pelo governo, a média diária das exportações na primeira semana do mês, de US$ 712,2 milhões, também é recorde. As exportações no período apresentaram um crescimento de 35,2% em comparação à média de julho de 2005, de US$ 526,8 milhões. Houve aumento nas vendas externas das três categorias de produtos: semimanufaturados (45,0%), básicos (35,5%) e manufaturados (31,4%).
No grupo de produtos semimanufaturados, o crescimento foi puxado pelas vendas de ligas de alumínio, ouro em forma semimanufaturada, alumínio em bruto, catodos de níquel, açúcar em bruto, couros e peles e ferro-ligas. Já a expansão das exportações de básicos refletiu maiores embarques de milho em grãos, petróleo em bruto, minério de ferro, soja em grão, fumo em folhas e carne bovina.
No grupo de produtos manufaturados, as maiores vendas foamde óxidos e hidróxidos de alumínio, álcool etílico, óleos combustíveis, máquinas e aparelhos para terraplanagem, bombas e compressores, polímeros plásticos, laminados planos de ferro e aço, motores e geradores, motores para veículos e autopeças.
Em relação a junho deste ano, as exportações apresentaram aumento de 30,8%. As importações, pela média diária, tiveram na primeira semana deste mês um aumento de 29,5% sobre a média de julho de 2005 (US$ 288,5 milhões).
Em relação a junho de 2005, as importações
na primeira semana de julho de 2006 registraram expansão de 6,7%, puxadas
por maiores compras de químicos-orgânicos e inorgânicos (45,5%),
adubos e fertilizantes (27,8%), siderúrgicos (20,7%), combustíveis
e lubrificantes (18,1%) e instrumentos de ótica (5,6%).