28/07/2006

TRIBUNA DA IMPRENSA



Descoberta quadrilha de advogados fraudadores

O Serviço de Inteligência da Receita Federal conseguiu chegar a três fraudadores responsáveis, nos últimos cinco anos, pela apresentação de 1,4 mil declarações do Imposto de Renda de pessoas físicas fraudadas, que totalizavam cerca de R$ 5 milhões a serem restituídos.

No escritório de contabilidade e advocacia de Richardson Soares Romero e do seu pai, Rubem Romero, na Tijuca, Zona Norte, policiais federais e auditores da Receita localizaram uma grande quantidade de identidades que tinham em comum fotos de Richardson disfarçado.

O terceiro envolvido nas fraudes é Sérgio Antunes Gonçalves que, embora resida na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, tinha ligação com os Romero. Na casa dele foram localizadas cópias de declarações de renda fraudadas que haviam sido apresentadas à Receita Federal.

Juntos, eles conseguiram cerca de 1,4 mil CPFs, utilizando para isto identidades falsificadas com dados de centenas de pessoas atraídas por anúncios com promessas de emprego. A partir da documentação deixada pelos candidatos aos cargos anunciados, eles montavam a cédula de identificação fazendo pequenas modificações nas informações sobre nome, nascimento e filiação, porém usando o número original do RG. A foto utilizada era sempre de alguém do grupo.

Como o cadastro da Receita só confere nome, filiação e data de nascimento, era possível emitir novos CPFs usados, não apenas nas declarações de renda fraudadas, como na abertura de contas bancárias. Como fonte pagadora, usavam empresas inativas há anos ou criavam empresas fantasmas. Com o conhecimento de contador, Richardson apresentava anualmente à Receita uma Dirf - Declaração de Imposto Retido na Fonte - destas empresas.

Em 2002, quando 240 declarações apresentaram como fonte pagadora a mesma empresa inativa, o esquema foi identificado. Desde então a Receita começou a monitorá-los, conseguindo evitar a restituição. Ainda assim, mais de R$ 1 milhão foi restituídos.

A reportagem esteve ontem no escritório de contabilidade, mas ele estava fechado "por motivo de falecimento de um familiar". Sérgio Antunes não foi localizado.