A greve dos auditores fiscais da Receita Federal, que completa hoje 15 dias, ameaça a produção de várias empresas de diversos setores que dependem de matérias-primas e insumos importados. Com ritmo de produção acelerado e estoques reduzidos, os fabricantes de eletroeletrônicos de consumo temem que a paralisação nas principais portas de entrada do País prejudique a oferta de produtos para o Dia das Mães, segunda melhor data de vendas para o setor, depois do Natal.
Segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), as empresas contabilizam uma semana de atraso na importação de componentes e de produtos acabados, além de demora na exportação. Se o abastecimento de componentes importados não for normalizado logo, a entidade afirma que algumas linhas de poderão ser paralisadas, principalmente produtos de áudio e vídeo e eletroportáteis.
"A indústria poderá perder volume expressivo de negócios no Dia das Mães, em função dessa greve, que afeta os serviços públicos, tem forte impacto nas empresas e terá conseqüências negativas inclusive para o consumidor", afirma Lourival Kiçula, presidente da Eletros. Segundo ele, mesmo que a greve seja encerrada agora, a regularização no ingresso de mercadorias vai demorar alguns dias, devido ao grande acúmulo de produtos para serem despachados nos portos e aeroportos do País.
Os auditores reivindicam equiparação salarial com delegados federais, que ganham R$ 18 mil.
A Hyundai/Caoa, montadora da picape HR, enfrenta problemas em sua fábrica situada em Anápolis (GO), por falta de componentes. Segundo fontes da empresa, se até quarta-feira não forem liberados os contêineres que estão parados nos portos de Santos e de Anápolis, a produção será reduzida à metade. Hoje, a empresa monta 1.200 veículos por mês.
O movimento prejudica ainda área de saúde. Estão parados no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, 15 equipamentos desenvolvidos pela NASA para tratamento de osteoporose, e que foram doados para a USP fazer uma pesquisa com 50 pacientes no Hospital das Clínicas. A pesquisa deveria ter sido iniciada em março. Já o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) obteve uma liminar na Justiça, liberando produtos de associados retidos nas aduanas.
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