Gazeta do Povo/PR - 28/03/2008
Rachid nega, mas comércio exterior já estaria tendo prejuízos
Brasília – A greve dos auditores fiscais, iniciada no dia 17 de março, já afeta o comércio exterior brasileiro. “Estamos recebendo reclamações o tempo todo. Isso cria uma instabilidade e um custo desnecessário”, afirmou um técnico de alto escalão do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) está fechando um balanço dos estragos da greve , que será apresentado no dia 1.º de abril pelo secretário Welber Barral, junto com os dados da balança comercial em março.
Os técnicos dizem que a greve afeta todo o setor produtivo e as operações do Ministério do Desenvolvimento e do Banco Central. Haveria um acumulo de processos que, com o final da greve , precisam ser registrados no Siscomex, criando dificuldades para o Ministério em função do número reduzido de servidores. Além disso, a greve , que ocorre praticamente todos os anos, criaria uma distorção nas estatísticas mensais da balança comercial.
No entanto, o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, disse ontem que a greve dos auditores fiscais não está afetando o comércio exterior brasileiro. Segundo ele, está sendo feito um remanejamento de pessoal para atender as áreas que necessitam de reforço. “Neste primeiro momento estamos trabalhando para dar um maior controle e eliminar a greve ”, afirmou.
Amparo
Rachid disse que uma liminar concedida por um juiz no Rio Grande do Sul não permite que o ponto dos servidores seja cortado, nem que seja anotada qualquer falta na ficha funcional ou a abertura de processo administrativo. “A medida judicial ampara o movimento”, explicou. Os auditores fiscais reivindicam um aumento salarial de 30%. Desde o dia 17, apenas 30% do efetivo total está trabalhando, em cumprimento à lei de greve .