O Globo - 12/04/2008

 

Apesar do corte do ponto, auditores da Receita devem manter a greve

Chefes evitam o corte. Advogados da União suspendem paralisação

• BRASILIA, SÃO PAULO e RIO. A despeito da decisão do governo federal de cortar, retroativamente, o ponto dos grevistas, o comando do movimento dos auditores fiscais vai recomendar à categoria que mantenha a paralisação por tempo indeterminado. A greve já dura 25 dias. A reunião da cúpula sindicalista foi ontem, em Brasilia. As assembléias regionais serão segunda-feira. Já os 1.815 advogados da União decidiram ontem suspender a greve de 85 dias.

Na última terça-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu uma liminar da Justiça Federal do Rio Grande do Sul que impedia o corte do ponto dos grevistas.

— O corte de ponto não afetou nossa indicação, que será decidida em assembléia na segunda-feira — afirmou Pedro Delarue, presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco).

A presidente do Unafisco no Rio, Vera Tereza, disse que chefes da Receita estão deixando seus cargos de comando para não ter de cortar o ponto dos fiscais. Segundo ela, das 12 delegacias da Receita no Rio, apenas em duas os chefes não pediram afastamento. A categoria reivindica reajuste de 30%.

O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, defendeu a privatização dos portos para evitar os problemas causados por greves de funcionários federais. Segundo ele, nos últimos três anos foran 442 dias de paralisação:

— Isso gera uma insegurança jurídica que leva o empresário estrangeiro a pensar duas vezes antes de fechar contratos com fornecedores brasileiros.

Mesmo com as cerca de 800 liminares obtidas por empreasas ligadas ao Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp) determinando a liberação de cargas retidas por causa da greve, a situação é crítica no Porto de Santos. Segundo a Associação Brasileira dos Terminais e, Re­cintos Alfandegados (Abtra), a capacidade de movimentação de cargas na área do porto já está próxima do limite.

— Se a greve continuar até a próxima quarta-feira, esgota-se a capacidade de recebimento de contêineres em Santos — disse o diretor da Abtra, José Roberto Campos.

Já a Inftaero informou que a situação das cargas nos aeroportos de Cumbica (Guarulhos) e Viracopos (Campinas ainda está sob controle.